Milton Nascimento, Nanna Caymmi - Sentinela (Brasil)




Meu Senhor
eu não sou digna
de que visite a minha pobre morada
porém se Tú desejas
queres me visitar
dou-te meu coracão
dou-te meu coracão.

Longe, longe, ouço essa voz
que o tempo não vai levar.

Morte, vela, sentinela sou
do corpo desse meu irmão que já se vai
revejo nessa hora tudo que ocorreu
memória não morrerá.

Vulto negro em meu rumo vem
mostrar a sua dor
plantada nesse chão
seu rosto brilha em reza
brilha em faca e flor
histórias vem me contar.

Longe, longe, ouço essa voz
que o tempo não vai levar.

"Precisa gritar sua força,
ê irmão, sobreviver
a morte inda não vai chegar
se a gente na hora de unir
os caminhos num só
não fugir nem se desviar".

"Precisa amar sua amiga, ê
irmão, e relembrar
que o mundo só vai se curvar
quando o amor que em seu corpo já nasceu
liberdade buscar
na mulher que você encontrou".

Morte, vela, sentinela sou
do corpo desse meu irmão que já se foi
revejo nessa hora tudo que aprendi
memória não morrerá.

Longe, longe, ouço essa voz
que o tempo não levará.

Longe, longe, ouço essa voz
que o tempo não levará.